O treino dura uma hora. Contudo, o resultado aparece nas outras vinte e três. Essa é uma característica curiosa da Educação Física e, talvez, a mais injusta: quase nada do que o profissional produz acontece na frente dele. Afinal, o aluno vai embora, atravessa a semana e vive a vida dele. É lá, no corredor do supermercado, na escada do prédio ou no chão da sala, que o trabalho começa a aparecer de verdade.
Hoje é 1º de setembro, Dia do Educador Físico. Portanto, este texto é sobre isso: as conquistas que acontecem longe da sala de treino e que, na maioria das vezes, quase nunca voltam em forma de agradecimento direto ao profissional.
Resposta rápida
O Dia do Educador Físico é comemorado anualmente em 1º de setembro. A data homenageia os profissionais de saúde responsáveis por prescrever, avaliar e acompanhar a prática de exercícios físicos. A escolha do dia faz referência à sanção da Lei nº 9.696, de 1998, que regulamentou a profissão de Educação Física no Brasil e criou os Conselhos Federal e Regionais da categoria, garantindo segurança técnica à população.
Por que a data é celebrada hoje?
O Dia do Educador Físico é comemorado em 1º de setembro porque foi exatamente nessa data, no ano de 1998, que a Lei nº 9.696 reconheceu a Educação Física como profissão no Brasil e instituiu o Conselho Federal e os Conselhos Regionais (CONFEF/CREFs).
Antes disso, tudo o que se fazia numa sala de treino já acontecia. Já existia prescrição, já existia acompanhamento, e já existia gente saindo dali melhor do que entrou. O que não existia, porém, era um nome oficial, uma lei protetiva ou uma data no calendário para celebrar.
Vale registrar o que a regulamentação mudou na prática: ela definiu a prescrição de exercício como uma atribuição exclusiva de um profissional formado e registrado. Dessa forma, ela estabeleceu critérios rigorosos para o exercício da atividade. Foi o momento histórico em que o trabalho deixou de ser entendido como uma técnica avulsa e passou a ser reconhecido oficialmente como atuação primordial em saúde.
As conquistas que ninguém registra
Todo profissional competente acompanha de perto a progressão de carga, a execução biomecânica e a frequência. Sem dúvida, esses são os dados visíveis que vão para as planilhas. Mas existe uma categoria inteira de resultado que não entra em nenhum software, simplesmente porque acontece sem nenhuma testemunha.
Ele passou o dia inteiro sentado e a lombar não reclamou
Fazia anos que a segunda-feira daquele aluno terminava com dor nas costas. Um dia, repentinamente, parou de terminar assim. Ele levou algumas semanas para perceber que o incômodo tinha sumido, e provavelmente nunca comentou com ninguém. Afinal, a ausência de dor raramente vira assunto de conversa.
Ele sentou no chão para brincar com o filho e levantou sozinho
Sem apoiar na mesa de centro, sem pedir a mão de ninguém para tracionar. O filho nem sequer percebeu o esforço. Ele, no entanto, percebeu, mas não soube exatamente o que fazer ou a quem agradecer por aquela nova capacidade física.
Ele trouxe as compras do mercado numa viagem só
Foram quatro sacolas pesadas e três lances de escada, tudo isso sem precisar parar no meio do caminho para trocar de mão. Ele não contou para o treinador porque, na cabeça dele, aquilo nem pareceu uma grande conquista digna de nota.
Ele correu atrás do filho no parque até a criança cansar primeiro
Certamente, não era isso que ele tinha ido buscar quando procurou um profissional. Inicialmente, ele só queria emagrecer uns quilos. Mas foi essa vitalidade que ele ganhou e é exatamente dessa sensação de liberdade que ele vai se lembrar daqui a dez anos.
Nenhuma dessas cenas descritas aconteceu dentro da academia. E, definitivamente, nenhuma delas teria acontecido sem alguém que fez a avaliação física completa, prescreveu o volume correto, corrigiu o movimento e continuou acompanhando o processo semana após semana.
Inclusive quem parou de treinar
Invariavelmente, todo profissional carrega uma lista mental de alunos que sumiram e nunca mais voltaram. É muito fácil colocar esses casos na conta do fracasso ou da falta de aderência.
Só que boa parte do que ficou cimentado durante os meses em que aquela pessoa treinou, continuou acontecendo depois da saída dela. O padrão de movimento correto que foi aprendido, a noção de percepção de esforço, a consciência do próprio corpo e, acima de tudo, a certeza de que ela é capaz de começar de novo quando quiser. Nada disso desaparece só porque a frequência na catraca parou. Você apenas não estava lá para ver.
O trabalho que antecede o trabalho no Dia do Educador Físico
Existe ainda uma face oculta da profissão que nem o aluno mais dedicado enxerga: a que acontece antes do sol nascer e depois do último atendimento da noite.
É o programa de treino estruturado de madrugada. É a adaptação de emergência feita pelo celular porque o aluno mandou mensagem dizendo que a lombar estava incomodando hoje. É o estudo solitário no fim de semana para entender melhor uma condição ortopédica específica que apareceu na anamnese. É, em suma, a decisão invisível de trocar um exercício por outro que ninguém vai notar, mas que muda completamente o resultado daquela pessoa.
Nada disso é cobrado como hora extra. E é justamente esse zelo invisível que separa quem realmente exerce a profissão em saúde de quem apenas repete uma sequência genérica de ficha.
Uma palavra sobre a tecnologia na profissão
Vale dizer, num dia como hoje, o que nenhuma ferramenta digital é capaz de fazer por você.
A tecnologia e os softwares organizam o seu histórico, agilizam a montagem complexa de programas, guardam laudos de avaliações e permitem comparar dois momentos distintos com precisão visual. Inegavelmente, isso economiza tempo, e o tempo é o recurso mais escasso e valioso de quem atende.
No entanto, o que continua sendo estritamente humano é ler a pessoa na sua frente. É perceber que ela chegou com uma energia diferente hoje. É entender que a queixa que ela verbalizou não é a real dor que ela está sentindo. É saber quando insistir na última repetição e quando recuar o volume do treino. Essa expertise humana somada à tecnologia não é automatizável, e é ela que o país inteiro comemora hoje.
Para você, que treina
Se você chegou até o final deste texto e não é um educador físico, você tem uma tarefa muito simples a cumprir hoje.
Provavelmente existe alguém que montou o seu treino com cuidado, corrigiu a sua postura torta no agachamento, lembrou de uma limitação articular sua antes de você mesmo lembrar, e que nunca soube o tamanho da diferença que isso fez no seu dia a dia.
Hoje é o dia dessa pessoa. Portanto, uma mensagem simples de WhatsApp agradecendo já resolve.
Feliz Dia do Educador Físico!
Parabéns a todos os profissionais da Educação Física. Você escolheu a nobre missão de cuidar da saúde das pessoas antes mesmo de elas precisarem de remédios. Hoje, o dia é inteiramente seu.
Autoria
Este conteúdo foi estruturado pela equipe da PersonalGO com base nas melhores práticas de gestão, marketing e posicionamento de mercado para profissionais de Educação Física.
